Opinião

Guiando quem eu sou

Os Toastmasters levam-me, agora, a refletir sobre o Mentoring. Entre outras tarefas, há que fazer uma viagem pelas memórias, e, nessa viagem, evocar ocasiões em que fui mentora ou mentorada. Ponho-me a caminho e, nessa retrospeção, a minha memória traz-me várias pessoas que me surgem como Mentores. Mas, para ter certeza de que o são, faço uma pesquisa acerca das definições de “Mentor” e “Mentee”.
Atesto que o propósito do “Mentoring” é o de ligar um indivíduo, com muita experiência e muito conhecimento, com outro que ainda não os tem, e o “Mentor” é alguém que nos ajuda no crescimento das nossas capacidades, a tomar melhores decisões e a adquirir novas perspetivas na vida e na carreira.
Com isso em mente, volto às minhas memórias e identifico pai e mãe como mentores fundamentais. Se há pessoas que nos ensinam a desenvolver as nossas capacidades, desde a altura em que somos seres indefesos até à idade adulta e, com sorte, até à velhice, são os nossos pais e a família. Ajudam-nos na vida, no trabalho. Ouvem-nos, orientam-nos, desmontam problemas que parecem intransponíveis e irresolúveis, reduzindo-os a provas superadas. Tudo isto quando sobre eles próprios pesam as responsabilidades de nos proverem, de nos educarem, e de garantir que nada falta. Mas também identifico amigas, amigos e companheiros. Pessoas que, estando na nossa vida, nos ouviram, nos ajudaram a fazer sentido de emaranhados de emoções e situações. Que, conscientemente ou não, nos ajudaram a estruturar soluções, a tomar decisões.
Por fim, a minha memória leva-me ao contexto de trabalho, onde a mentoria é indicada como uma
ferramenta importante. E, nesse contexto, revejo-me sentada, a ver pela primeira vez como se fazem as coisas que hoje me saem com tanta naturalidade. Acometem-me memórias de explicações várias; das mais complexas, como as que têm uma vertente técnica, às mais simples, como a formatação de documentos. Revejo-me sentada, a ouvir as estratégias que posso usar para apresentar, de forma positiva, uma proposta ou para desbloquear um problema e resolver uma situação. Olho para mim, atenta, a caminhar pelas veredas do conhecimento e experiência dos que me orientaram nesse crescimento. Olho, e vejo de cima e em retrospetiva, a partilha de estratégias, conhecimentos e formas de acrescentar valor, quando sobre eles recaíam responsabilidades de prazos e exigências de clientes.
Olho para trás, e, nesta viagem, consigo vê-los todos. Todos os que fizeram e fazem o que sou hoje. E identifico, em mim, os seus contributos, os seus trejeitos, as suas crenças, os seus valores, atestando que, quem passa por nós, deixa sempre um pouco de si. Mas não são todos, só aqueles que, de alguma forma, se importam. Seja porque gostam de nós. Seja porque precisam que nos
desenvolvamos. Seja por ambos os motivos. Para mim, foram aqueles. E, para mim, o “Mentor” é o indivíduo que tem mais conhecimento e experiência, e que SE IMPORTA com o indivíduo que ainda não a tem, ajudando-o a ser mais e melhor.

 

Rafaela Silva, economista e membro do Braga Toastmasters

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