Destaque entrevista

NUNO FERREIRA | CEO DO MTK GROUP «Apostamos em consultoria integrada para responder aos desafios reais das empresas»

Com mais de 14 anos de crescimento sustentado, o MTK Group consolidou-se como um ecossistema integrado de serviços empresariais, assente no rigor financeiro, na valorização do talento e numa consultoria profundamente orientada para resultados. Nuno Ferreira, CEO e fundador, revela nesta entrevista a visão estratégica que esteve na origem do grupo, os princípios que moldam a sua cultura e os desafios que irão marcar o futuro da consultoria e das empresas em Portugal.

Como nasceu a visão fundadora do MTK Group?

O meu percurso profissional iniciou-se ainda enquanto frequentava a faculdade. No terceiro ano ingressei no Banco Santander, na área de crédito a empresas e particulares, e esse contacto direto com a análise de realidades empresariais muito distintas despertou em mim um forte interesse por uma atividade futura ligada à gestão e às finanças. Após três anos no setor bancário, saí para integrar uma empresa na área financeira e, progressivamente, fui acumulando novas experiências profissionais, até que surgiu a decisão de criar a minha própria empresa e uma estrutura humana sólida que a sustentasse. Quando a MTK foi fundada, o objetivo era criar uma empresa dotada de recursos humanos altamente qualificados, com uma abordagem multidisciplinar, capaz de responder às necessidades dos clientes nas áreas de Consultoria Financeira e Controlo de Gestão, através da marca MTK Consulting. Pretendíamos levar aos clientes uma visão menos emocional – típica de quem vive diariamente dentro das empresas – e mais racional, baseada em múltiplas experiências adquiridas e em modelos de análise e controlo desenvolvidos e adaptados. Costumo referir esta abordagem como uma “visão de pássaro”, de fora para dentro. Na altura, não existia de forma expressiva a figura de empresas de Consultoria Financeira e de Gestão focadas no apoio a pequenas e médias empresas. Sempre entendi que havia espaço de mercado para esse tipo de serviço e que as empresas clientes poderiam melhorar substancialmente com a MTK ao seu lado. Hoje, temos clientes com equipas financeiras, contabilísticas e administrativas internas que não prescindem do nosso acompanhamento. No modelo de consultoria recorrente ou permanente, normalmente entramos e permanecemos nas empresas. Após a consolidação desta área, o passo seguinte foi ramificar para outras áreas de intervenção e começar a oferecer aos clientes uma solução cada vez mais global.

«Não abdicamos da consultoria à medida, mesmo que isso torne o crescimento mais exigente»

Ao longo dos mais de 14 anos de existência do MTK Group, que momentos considera terem sido verdadeiramente estruturantes para transformar uma consultora financeira num grupo multidisciplinar com várias áreas de especialização?

Sempre tive a visão de posicionar a MTK como um prestador de serviços cada vez mais global, com áreas relacionadas entre si. No entanto, este percurso foi sempre feito de forma ponderada, avançando apenas quando senti que existiam condições reais para o fazer. Costumo dizer que não vendemos produtos, vendemos serviços, e para o fazer com o elevado nível de qualidade que defendemos é absolutamente vital ter os recursos humanos certos, bem formados e alinhados com os nossos valores. Atualmente, cerca de 75% da equipa do Grupo MTK tem menos de 35 anos. A política de recrutamento passou, durante muitos anos, por captar talento recém-formado ou com pouca experiência e desenvolvê-lo internamente até atingir os níveis que idealizamos, criando um verdadeiro ADN MTK. Este modelo torna o crescimento mais lento, mas garante uma qualidade de serviço muito superior. Nos últimos anos, a MTK passou também a contar com colaboradores muito experientes, que hoje desempenham um papel fundamental na formação e integração de quem chega, acelerando o crescimento do grupo. Esta estratégia permitiu que, desde 2019, a MTK aumentasse de forma consistente as suas áreas de atuação e se afirmasse como um prestador de serviços cada vez mais global.

Integrar consultoria, crédito, capital de investimento, seguros e marketing/comunicação num mesmo ecossistema, foi uma ambição desde o primeiro dia ou um caminho descoberto com a experiência acumulada?

Sempre existiu a ambição de alargar a atuação do grupo a novas áreas. No entanto, a decisão sobre que áreas desenvolver está fortemente relacionada com as necessidades dos clientes, as oportunidades de mercado e a rentabilidade esperada, direta ou indireta. Atualmente, o Grupo MTK integra quatro marcas distintas. A MTK Consulting, focada na Consultoria Financeira e de Gestão, de forma permanente ou pontual, incluindo serviços como análise financeira e controlo de gestão, reestruturação e recuperação de empresas, avaliação de empresas, candidaturas a projetos de investimento, relatórios ESG, contabilidade e fiscalidade, entre outros. A MTK Finance atua na área da intermediação financeira de crédito, tanto para particulares como para empresas. Trata-se de um projeto recente, desenvolvido em conjunto com o meu sócio Alberto Lopes. Profissional com vasta experiência no setor bancário e seguros, lidera a gestão desta empresa e tem conseguido posicionar a marca num mercado altamente concorrencial. O domínio técnico da área, o foco no serviço ao cliente, são alguns pergaminhos que o Alberto impõe em cada dia, em cada ação da empresa. A MTK Capital dedica-se a projetos de fusões e aquisições, estabelecendo a ponte entre empresas que pretendem abrir capital e investidores nacionais ou internacionais. Muitas vezes o processo ocorre também no sentido inverso, com investidores a solicitarem targets específicos que procuramos no mercado. Faz ela própria, também, investimentos em novos projetos ou startups. O jovem empreendedor tem a ideia de negócio e a MTK Capital leva a Gestão e o Capital para o desenvolvimento do mesmo. Por fim, a MTK Creative que atua na área de marketing e comunicação, identificada como um serviço cada vez mais determinante para o sucesso dos negócios dos nossos clientes. Outros projetos estão em desenvolvimento, alguns deles com potencial para surpreender, por se afastarem do gene financeiro tradicional da MTK.

A empresa tem sido reconhecida pelo seu crescimento sustentado. Quais têm sido os principais pilares que têm permitido manter essa consistência num mercado tão competitivo e volátil?

Enquanto empresa de matriz financeira, sempre pensámos o nosso próprio crescimento com o mesmo rigor que aplicamos aos nossos clientes. Demos sempre passos seguros, tanto do ponto de vista financeiro como da capacidade de garantir níveis elevados de serviço. Isso só é possível com recursos humanos qualificados, bem formados e alinhados com a cultura da empresa.

Trabalham com empresas de todos os setores, desde micro e PME até grupos mais estruturados. Que características do vosso modelo tornam possível esta adaptabilidade transversal?

Resulta, essencialmente, de muitos anos de experiência em empresas de setores muito diversos, como metalomecânica, têxtil, construção, agricultura, restauração, turismo, plásticos, entre outros. Desenvolvemos modelos de análise e acompanhamento que são adaptados à realidade de cada cliente, e contamos com técnicos cujas formações e características pessoais se ajustam melhor a determinados setores de atividade.

O grupo destaca frequentemente os valores de rigor, confiança, visão estratégica e inovação. Como se preserva uma cultura tão exigente numa equipa em contínuo crescimento?

Através de uma política consistente de recrutamento de talento jovem e de um forte investimento na formação interna, tanto técnica como ao nível dos valores e do ADN MTK.

«Muitos empresários falam da solidão da decisão, mas não abrem mão do capital. Eu penso de forma diferente»

A promoção interna, especialmente com base na meritocracia, tem sido uma prática marcante, como comprovam as recentes nomeações de Vítor Ferreira e Stephanie Silva. Que impacto espera que estas novas lideranças tragam para o futuro do grupo?

Vejo a empresa de forma diferente de muitos empresários. Nunca a encarei como sendo exclusivamente minha no futuro, e por isso opto por premiar internamente colaboradores com participação no capital. Muitos empresários falam da solidão da decisão, mas não abrem mão do capital. Eu penso de forma diferente. Quero premiar desta forma e partilhar os desígnios futuros da empresa. Tenho 50 anos e uma determinada forma de ver o mundo; as gerações mais jovens que trabalham comigo influenciam-me positivamente e ajudam-me a alinhar a empresa com as novas gerações de clientes. O Vítor e a Stephanie, além das capacidades técnicas que dispõem, têm uma série de características humanas que valorizo e estão perfeitamente comprometidos com o projeto MTK. Todos os colaboradores que hoje fazem parte da MTK, ou que venham a integrar a equipa no futuro, sabem que existe a possibilidade real de um dia se tornarem também sócios da empresa.

«Sempre existiu a ambição de alargar a atuação do grupo a novas áreas. No entanto, a decisão sobre que áreas desenvolver está fortemente relacionada com as necessidades dos clientes, as oportunidades de mercado e a rentabilidade esperada, direta ou indireta. Atualmente, o Grupo MTK integra quatro marcas distintas: MTK Consulting; MTK Finance; MTK Capital e MTK Creative»

De que forma o MTK Group se posiciona para atrair e reter talento numa área onde a especialização técnica e a capacidade analítica são tão determinantes?

Através de uma política clara de meritocracia, proximidade e cumplicidade entre a gestão de topo e os colaboradores, reforço contínuo do ADN MTK, autonomia e responsabilização, bem como partilha constante de conhecimento. Dispomos ainda de um Departamento de Felicidade interno, que contribui de forma significativa para um ambiente saudável e positivo, através da realização de diversos eventos e ações de grupo.

Que competências considera hoje essenciais para alguém que ambiciona liderar na área da consultoria financeira e gestão?

No meu primeiro dia de trabalho recebi um conselho que nunca esqueci: “tens duas orelhas e uma boca, por alguma razão é”. Ou seja, é fundamental saber ouvir, perceber as necessidades do cliente, analisar, estudar e só depois aconselhar de forma ponderada e assertiva. Esta postura é vital para reforçar diariamente a confiança dos clientes, que são, no fundo, quem sustenta o nosso trabalho.

Como avalia o atual momento do tecido empresarial português?

O raciocínio é simples: as empresas produzem, exportam e trazem capital do exterior. Mais empresas significam mais emprego, mais serviços associados e maior poder de compra das famílias, o que dinamiza a economia interna. Nos últimos anos, a competitividade das empresas portuguesas foi condicionada por uma função pública pesada, por uma governação pouco assertiva que se traduziu numa elevada carga fiscal e burocrática, que limita a capacidade de crescimento face aos concorrentes externos. Os ciclos económicos mudaram, os hábitos de consumo evoluíram e os ciclos de vida dos produtos encurtaram. As empresas que não tiverem instrumentos para se adaptarem de forma rápida e flexível perdem espaço económico. Torna-se essencial uma maior flexibilidade laboral, uma justiça mais célere, menos burocracia e uma carga fiscal mais ajustada. O problema não é apenas nacional, mas também europeu. Os desafios são enormes e exigem medidas de governação impactantes. Estou certo que, se forem tomadas, os empresários responderão com resiliência, investimento, criação de emprego, inovação e recuperação económica.

«”Tens duas orelhas e uma boca, por alguma razão é”. Ou seja, é fundamental saber ouvir, perceber as necessidades do cliente, analisar, estudar e só depois aconselhar de forma ponderada e assertiva»

Referem frequentemente a importância da literacia financeira. Sente que este é um desafio estrutural ainda muito presente nas empresas portuguesas?

Hoje existe claramente mais literacia financeira do que no passado, muito impulsionada pela difusão da informação e pelo aumento dos níveis de escolaridade. No entanto, os conceitos e teorias económicas e financeiras devem ser aplicados em função do contexto económico de cada momento. O espírito crítico e o conhecimento financeiro são determinantes para uma correta definição estratégica das empresas, e é também aí que assumimos um papel relevante enquanto consultores.

Relativamente às candidaturas a incentivos, a procura tem crescido? E as empresas estão realmente preparadas para cumprir os requisitos e maximizar os apoios?

Os programas de investimento são muito positivos e devem ser aproveitados para a modernização, qualificação, expansão e internacionalização das empresas. Após erros cometidos no passado, os empresários encaram hoje estes programas como verdadeiras oportunidades de alavancagem, o que tem levado a uma procura intensa. Defendemos, no entanto, que os incentivos devem ser vistos como um complemento a investimentos que já fariam sentido estrategicamente. As empresas devem desenvolver planos rigorosos e não investir além da sua capacidade ou em áreas que não acrescentem valor. Quando desenvolvemos uma candidatura somos muito cautelosos nestas matérias e resultado disso é que a taxa de concretização dos investimentos e do atingir de metas propostas, por parte das empresas clientes, é altíssima!

A inovação contínua é apontada como um dos vossos pilares. Em que áreas concretas sente que o grupo se tem diferenciado pela utilização de novas metodologias e ferramentas?

O desafio da automação e da inteligência artificial nas empresas de serviços é enorme. Este tema é um dos nossos pilares estratégicos e estamos envolvidos em vários programas de desenvolvimento nessa área. Novidades surgirão em breve.

Qual será, na vossa visão, o próximo grande desafio do mercado da consultoria em Portugal na próxima década?

Destacaria vários desafios: retenção de talento, automação e utilização da inteligência artificial, cibersegurança e proteção de dados, bem como a possível entrada de players estrangeiros no mercado nacional.

«O futuro da consultoria passa pela retenção de talento, pela automação, pela inteligência artificial e pela confiança»

No vosso entendimento, qual é atualmente o serviço mais subvalorizado pelas empresas portuguesas, mas que poderia transformar radicalmente os seus resultados se fosse corretamente utilizado?

As empresas têm realidades muito distintas, mas considero que, de forma geral, ainda existe um longo caminho a percorrer no que diz respeito à automação.

Portugal está preparado para uma cultura de investimento mais estratégica e menos reativa?

Algumas empresas já adotam uma abordagem estratégica ao investimento. No entanto, empresas mais pequenas, com menor conhecimento do mercado global, inovação tecnológica ou tendências geopolíticas, tendem a reagir mais do que a antecipar. Aqui assumimos um papel relevante, ajudando as empresas a estruturar planos estratégicos de ação.

O vosso posicionamento destaca a consultoria “à medida”. Como se equilibra a personalização profunda com a necessidade de escalabilidade num grupo em expansão?

É um dos nossos grandes “segredos” e uma das nossas principais diferenciações. Não abdicaremos da consultoria à medida, pois é essencial para os resultados que pretendemos entregar. Podemos crescer mais devagar, mas o mais importante é não comprometer este princípio.

Assumem a ambição de consolidar presença nacional e expandir internacionalmente. Que geografias estão na mira e porquê?

Ainda não temos a dimensão necessária para essa expansão, mas não excluímos essa possibilidade. A área de Fusões e Aquisições tem-nos aberto algumas portas internacionais e, com o parceiro certo, poderá vir a ser uma realidade no futuro.

Qual seria o “futuro ideal” do grupo daqui a 10 anos?

Daqui a 10 anos, o futuro ideal do grupo passa por ter todas as novas áreas de atuação plenamente consolidadas e corretamente dimensionadas, preservando intactos os valores que sempre nos orientaram e que sustentaram o nosso crescimento. Pretendemos ser uma empresa preparada para responder, tanto dentro na MTK como nos clientes, aos desafios da nova era da consultoria, nomeadamente nas áreas da Inteligência Artificial, Automação, Cibersegurança e ESG. Paralelamente, ambicionamos que a marca MTK consolide um reconhecimento crescente como uma referência nacional na prestação integrada de serviços de consultoria.

 

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