Fundada em 1989, a Nós Norte afirma-se como uma referência no setor dos materiais de construção e soluções técnicas, aliando tradição familiar, especialização e visão estratégica. Nesta entrevista, Luís Gomes e Américo Gomes revisitam quase quatro décadas de crescimento sustentado, resiliência e inovação, destacando a aposta contínua na qualidade do serviço, na proximidade ao cliente e na construção de relações duradouras.

Para começar, como descrevem a Nós Norte e quais são as principais áreas de negócio e que produtos comercializa?
Américo Gomes (AG): A Nós-Norte é uma empresa familiar, fundada em 1989, especializada na comercialização de materiais de construção e soluções para o setor da construção e reabilitação. Ao longo de quase quatro décadas, consolidamos a nossa posição como parceiro de referência para profissionais e particulares, oferecendo produtos nas áreas de pavimentos e revestimentos cerâmicos, sanitários, torneiras, mobiliário de casa de banho, sistemas técnicos e soluções construtivas eficientes. Mais do que vender produtos, entregamos soluções integradas, com aconselhamento técnico especializado e acompanhamento próximo do cliente.
«A ambição foi, desde o primeiro dia, construir uma empresa sólida, credível e sustentável, baseada em princípios de seriedade, compromisso e visão de longo prazo»
A Nós-Norte nasce em 1989, num contexto muito diferente do atual. Que lacuna no mercado identificaram na altura e que ambição esteve na génese do projeto?
Luís Gomes (LG): Na altura, identificámos uma clara necessidade de maior especialização e proximidade no atendimento ao cliente. O mercado era menos estruturado e existia espaço para uma empresa que combinasse qualidade de produto, conhecimento técnico e uma relação de confiança com os clientes. A ambição foi, desde o primeiro dia, construir uma empresa sólida, credível e sustentável, baseada em princípios de seriedade, compromisso e visão de longo prazo.
Sendo uma empresa fundada por dois irmãos, de que forma a relação familiar influenciou – positivamente ou negativamente – as decisões estratégicas ao longo do percurso?
AM: A relação familiar foi um fator de união e confiança. Naturalmente, como em qualquer sociedade, existiram e existem debates em diferentes perspectivas, é assim que inovamos, mas sempre prevaleceu o respeito mútuo e o foco no melhor para a empresa. A base familiar trouxe estabilidade, alinhamento de valores e uma visão comum, o que foi determinante para decisões estratégicas estruturantes ao longo dos anos.
Olhando para estes quase 40 anos de atividade, quais foram os momentos mais determinantes na história da Nós-Norte?
LG: Foram muitos. Cada fase de crescimento, cada investimento, cada desafio superado. A crise de 2008 foi um momento particularmente duro – testou a nossa resiliência, a nossa capacidade de adaptação e a nossa união. Também a internacionalização para Angola, em 2009, foi uma decisão corajosa num contexto incerto. Mas talvez os momentos mais marcantes sejam os silenciosos: quando percebemos que clientes continuam connosco há décadas, quando vemos os colaboradores com muitos anos de casa, a crescer dentro da empresa, quando sentimos que a marca é reconhecida pela confiança de todos.
«Acreditamos que a dimensão só faz sentido quando sustentada por competência, organização e excelência no atendimento»
Olhando para o vosso percurso, preferiram crescer mais na qualidade do serviço ou na dimensão do projeto?
LG: Sempre privilegiamos a qualidade do serviço. O crescimento foi uma consequência natural dessa escolha. Acreditamos que a dimensão só faz sentido quando sustentada por competência, organização e excelência no atendimento. Essa opção permitiu-nos criar relações duradouras com clientes e parceiros.
Porque decidiram optar por esse caminho e que vantagens competitivas isso lhes trouxe?
AG: Porque entendemos que, num setor altamente competitivo, o verdadeiro diferencial está no serviço, no aconselhamento técnico e na confiança. Essa aposta trouxe-nos fidelização, reputação sólida e reconhecimento no mercado como empresa de referência, não apenas pelo que vende, mas pela forma como acompanha cada projeto.


A crise de 2008 foi um ponto de viragem para muitas empresas do setor. De que forma esse período testou a resiliência da Nós-Norte?
LG: Foi um período extremamente desafiante, que exigiu prudência financeira, capacidade de gestão rigorosa e adaptação rápida. Reforçámos a proximidade com os clientes, ajustamos estratégias e mantivemos uma postura responsável. A crise acabou por fortalecer a estrutura interna e consolidar a nossa resiliência enquanto organização.
Como evoluiu o cliente da Nós-Norte ao longo das últimas décadas e o que mais valoriza hoje?
AG: O cliente de hoje é mais informado, mais exigente e mais atento à qualidade e à sustentabilidade. Valoriza o nosso aconselhamento, a nossa transparência e as nossas soluções duradouras. Mas algo não mudou: continua a valorizar a confiança. E é isso que procuramos oferecer todos os dias.
A sustentabilidade surge como uma preocupação transversal desde os primeiros anos. Como se traduz o vosso compromisso pela preocupação na sustentabilidade na prática diária da empresa?
LG: Traduz-se na escolha criteriosa de fornecedores, na aposta em produtos eficientes e duráveis, na otimização logística, na redução de desperdícios e na adoção de boas práticas ambientais na gestão interna. A sustentabilidade, para nós, não é apenas ambiental, é também económica e social, garantindo continuidade e responsabilidade intergeracional.

No setor dos materiais de construção, que papel considera que as empresas devem assumir na promoção de soluções mais eficientes e sustentáveis?
AG: Devem assumir um papel ativo e pedagógico. As empresas têm responsabilidade na seleção e promoção de soluções energeticamente eficientes, materiais certificados e tecnologias inovadoras que contribuam para edifícios mais sustentáveis. Fazemos parte da cadeia de valor acrescentado nas decisões técnicas dos projetos.
A escolha criteriosa de marcas e parceiros também faz parte dessa visão sustentável?
Sim. Trabalhamos com fabricantes que garantam Certificações europeias e internacionais; Controlo de qualidade industrial; Capacidade de inovação; e Conformidade com normas técnicas e ambientais. A solidez dos parceiros é determinante para a estabilidade da cadeia de fornecimento.
Quais as novidades em que a empresa está a apostar neste momento?
LG: Estamos a reforçar a digitalização dos processos, a atualização permanente do nosso showroom e a ampliação do portfólio com soluções cada vez mais eficientes e diferenciadoras. Investimos também na formação contínua das equipas e na melhoria constante da experiência do cliente.
A internacionalização para Angola, em 2009, surge num momento particularmente desafiante. O que motivou essa aposta e que riscos tiveram de assumir?
AG: Foi uma decisão estratégica, mas também um ato de coragem. Num momento difícil para o mercado interno, decidimos olhar para fora e acreditar numa nova oportunidade.
LG: Foi desafiante, exigente, mas também enriquecedor. Mostrou-nos que a nossa capacidade de adaptação ia além das fronteiras.
A internacionalização continua a fazer parte dos planos estratégicos da empresa?
AG: Mantemos uma visão aberta à expansão, sempre com critérios de sustentabilidade, estabilidade e viabilidade estratégica. Cada passo é ponderado com rigor e alinhado com a nossa capacidade organizacional.
A transformação digital acelerou nos últimos anos. Como tem sido o processo de adaptação da Nós-Norte a esta nova realidade?
LG: Tem sido um processo contínuo. Investimos em sistemas de gestão, comunicação digital, presença online e melhoria da experiência do cliente. A digitalização não substitui o contacto humano, mas complementa-o e torna-nos mais eficientes.
«O showroom é essencial. Os materiais sentem-se. Tocam-se. Observam-se à luz natural. Inspiram»
De que forma o showroom físico continua a ser relevante num mundo cada vez mais digital?
AG: O showroom é essencial, os materiais sentem-se. Tocam-se. Observam-se à luz natural. Inspiram. Permite ao cliente ver a realidade e experimentar soluções. Num setor como o nosso, a componente sensorial e o aconselhamento personalizado são determinantes. O espaço físico continua a ser um ponto de encontro e inspiração.
Quais são hoje os principais desafios do setor da construção e como se prepara a empresa para lhes responder?
LG: A volatilidade dos mercados, a escassez de mão de obra qualificada, a pressão sobre custos e a necessidade de adaptação a exigências ambientais e regulamentares cada vez mais rigorosas. Preparamo-nos com planeamento estratégico, com os melhores fornecedores e investimento na qualificação das equipas.
A formação contínua dos recursos humanos é uma aposta clara. Que tipo de equipa procuram construir na Nós-Norte?
AG: Procuramos ter profissionais competentes, responsáveis, com espírito de equipa e vontade de evoluir. Valorizamos a formação contínua, o compromisso e a capacidade de adaptação.
O que distingue, na vossa opinião, um bom profissional nesta área?
LG: Conhecimento técnico, ética de trabalho, capacidade de escuta e foco na solução. Um bom profissional compreende que cada projeto é único e exige rigor e dedicação.
Que objetivos estratégicos gostariam de concretizar nos próximos anos?
AG: Consolidar a posição no mercado, reforçar a eficiência interna, investir na inovação e continuar a crescer de forma sustentável, mantendo os valores dos fundadores que nos trouxeram até aqui.
Como gostariam que a Nós-Norte fosse reconhecida no mercado, para além dos números e das certificações?
LG: Como uma empresa de confiança, sólida, inovadora e responsável. Uma referência não apenas pela dimensão, mas pela qualidade do serviço e pela relação construída ao longo de décadas.
«Construímos confiança com qualidade, proximidade e visão de futuro»
Que balanço fazem da atividade da empresa até ao momento?
AG: O balanço é francamente positivo. Orgulhamo-nos do percurso, das parcerias construídas e da equipa que formamos. Crescemos com consistência, enfrentamos desafios e mantivemos sempre os nossos princípios.
Se tivessem de resumir a essência da Nós-Norte numa frase, qual seria?
“Construímos confiança há quase quatro décadas, com qualidade, proximidade e visão de futuro”.

