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Quanta Terra harmoniza vinho e arte em Favaios

PIC Miguel Viegas 

O espaço Quanta Terra promove a simbiose entre o vinho e a arte, numa exposição composta por 25 obras de Vhils, HelioBray e Paulo Neves. A mostra “Quanta Terra, Quanta Arte” pode ser vista até ao fim do ano, em Favaios, concelho de Alijó, numa viagem marcada pela envolvente mágica do Douro Vinhateiro. 

As paredes de pedra do espaço Quanta Terra, antiga destilaria da Casa do Douro, testemunham a consolidação de um projeto que une artes: os vinhos com a assinatura dos enólogos Celso Pereira e Jorge Alves com a peças criadas por Vhils (Alexandre Farto), HelioBray e Paulo Neves. Estamos em Favaios, no concelho de Alijó, onde barricas, garrafas e cubas revestidas a ladrilhos espelhados harmonizam com obras de arte, na exposição intitulada “Quanta Terra, Quanta Arte”, com curadoria da Galeria Contagiarte. 

A inauguração, a 21 de março, contou com a presença do secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, e do presidente da Câmara Municipal de Alijó, José Paredes, sinalizando o projeto Quanta Terra como um exemplo de promoção cultural em territórios do interior. Os enólogos fundadores da marca Quanta Terra enfatizam precisamente a intenção de «reforçar a importância da valorização do interior», abrindo as portas da antiga destilaria da Casa do Douro a várias formas de arte, sem nunca esquecer «o papel do vinho como motor da economia do território». 

Celso Pereira e Jorge Alves destacam que o espaço Quanta Terra tem vindo a tornar-se «num palco de manifestações culturais, de acesso gratuito», que já lhe valeu duas distinções “Best of Wine Tourism”, em 2023 e 2025, na categoria Arte e Cultura, atribuídas pela rede mundial Great Wine Capitals. 

Celso Pereira explica que na base deste trabalho está «o amor» e o «deslumbramento» que sentem, que fez com que o edifício da antiga destilaria da Casa do Douro fosse transformado num espaço cultural, num processo de recuperação assinado pelo arquiteto Carlos Santelmo. 

«Estamos a fazer coisas que nos enchem a alma. Isto é amor», afirma, revelando a vontade de «partilhar o conhecimento» com o meio onde estão inseridos, no sentido de aumentar a oferta cultural do território. 

Por seu turno, Jorge Alves, destaca a disponibilidade dos artistas, nomes grandes da arte em Portugal, para participaram nesta iniciativa, que pretende levar a arte para «sítios onde possa ser usufruída pelas pessoas». Já o responsável pela curadoria da Contagiarte, Rui Pedro, revela que a ideia desta exposição «nasce da valorização do material e do seu contexto». «Vhils escava camadas que revelam a história, como um pintor na tela. HelioBray mistura técnicas e pigmentos, que levam a formas que se conectam à natureza e, por sua vez, Paulo Neves une a escultura e a arte, com uma forte ligação à madeira e materiais orgânicos», afirma. «Desejamos estender este privilégio ao interior do país, possibilitando o usufruto de obras de arte impressionantes no cenário espetacular e histórico da região do Douro, não só pelos visitantes como, acima de tudo, pelos residentes, caminhando em prol de mais cultura gratuita para as comunidades», acrescenta. 

A inauguração incluiu uma conferência subordinada ao tema “Enoturismo exclusivo: A procura crescente pelo Interior” e a harmonização dos vinhos Quanta Terra com a gastronomia do G Restaurante, estabelecimento de Bragança, sob a liderança do chef Óscar Geadas, detentor de uma estrela Michelin. 

A renovada Destilaria nº7 da Casa do Douro estreou-se no mundo a arte, entre março e outubro de 2022, com uma exposição de Joana Vasconcelos, com obras como “Pavillon de Vin” e “Coração Independente”, seguindo-se, em 2023, a mostra “Cor no Douro”, da artista plástica Leni van Lopik. 

Nos 25 anos da marca Quanta Terra, em 2024, a exposição “Técnica Ancestral”, com curadoria da plataforma cultural Underdogs Gallery, apresentou obras de arte de artistas portugueses e estrangeiros, entre os quais Alexandre Farto aka Vhils, AkaCorleone, Pedrita Studio, PichiAvo, Raquel Belli e Vasco Maio. 

A exposição pode ser contemplada de quarta-feira a domingo, das 10h00 às 17h30, até 31 de dezembro deste ano. A visita inclui uma prova de vinhos. É aconselhado fazer reserva prévia, através do e-mail [email protected] ou do telemóvel 935907557. 

Vinhos diferenciadores e nova adega na calha 

O enólogo Celso Pereira refere que a Quanta Terra aposta numa «perspetiva diferenciadora», com a «preocupação de olhar para o mercado, porque a demanda do mercado, muitas vezes, faz com que os enólogos criem novos projetos». A inauguração da exposição de arte foi aproveitada para o lançamento do Quanta Terra Grande Reserva Tinto 2021 e do Pouca Terra Tinto 2023. 

Do portfólio, destaca o Phenomena Rosé, eleito duas vezes como o melhor rosé português; o Golden Edition, um vinho branco de 2017, que envelhece sete anos em barrica; o Manifesto 2018, que representa o território do Douro; e o espumante Quanta Terra Eclát, com quatro anos de estágio, lançado para comemorar um quarto de século da empresa. «Temos vinhos a dormir na nossa cave, que demoram quatro, cinco, seis, sete, oito anos até serem lançados no mercado», afirma, dando o exemplo do Inteiro, um vinho com dez anos de estágio. 

Ao mesmo tempo, a Quanta Terra tem referências que respondem à «nova demanda», como o Wild, um Pinot Noir pisado a pé, muito leve e fresco, com 11.5o, que «convida para outro tipo de pairing com a comida, completamente diferente da gastronomia portuguesa». «Falamos sempre em quantidades muito pequenas, 1.500 garrafas, 1.800 garrafas. É aí que nós temos que estar, é aí que temos que comunicar», afirma. 

A afinidade entre os dois enólogos surgiu na década de 90, quando Celso Pereira e Jorge Alves colaboravam no Departamento de Enologia nas Caves Transmontanas. Atualmente, produzem cerca de 90 mil garrafas, num volume de negócios na ordem dos 700 mil euros. O principal mercado é o nacional, tendo também relevância o Brasil e EUA. 

No imediato, vai avançar a primeira fase da nova adega, num investimento de 230 mil euros, estando previsto que, na segunda fase, chegue a um milhão de euros. 

 

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