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SÉRGIO CANIÇO | CEO DA CLÍNICA CANIÇO «Com este novo espaço assumimos uma mudança de patamar com ambição europeia»

Com 28 anos de percurso, a Clínica Caniço entra numa nova etapa da sua história. Em entrevista, o CEO, Sérgio Caniço, assume o novo espaço – o maior investimento realizado pela empresa – como uma verdadeira mudança de patamar. Com o dobro da capacidade, novas áreas de atuação e uma forte aposta na inovação, a clínica reforça a sua ambição de crescimento e de afirmação nacional e europeia, mantendo a proximidade e o cuidado como pilares da sua identidade.

A inauguração da nova Clínica Caniço representa o maior investimento da história da empresa. O que simboliza este novo espaço para a identidade e para a ambição da marca?

Este novo espaço é, acima de tudo, a materialização de 28 anos de percurso – desde a Minho Dente, passando pela Caniço Estética e Implantologia Avançada, até à Clínica Caniço Dental and Aesthetics que somos hoje. É o maior investimento que já fizemos e simboliza uma mudança de patamar: deixamos de ser apenas uma clínica de referência em Braga para nos assumirmos como um projeto com ambição europeia. Gosto de dizer que é a nova era da medicina dentária para nós – um espaço pensado não só para responder ao crescimento que temos tido, mas para representar aquilo que sempre defendemos: que a excelência clínica e o cuidado com o paciente não são opostos, andam de mãos dadas.

A nova unidade duplica a capacidade instalada e incorpora novas áreas, como a medicina estética. Fale-nos como será estruturada e de que forma esta evolução permitirá proporcionar uma experiência ainda mais diferenciadora aos pacientes?

Duplicámos a capacidade instalada e isso permite-nos responder à procura que já não conseguíamos acompanhar no espaço anterior. A nova unidade está organizada para que cada área tenha o seu lugar próprio – a componente dentária, com mais gabinetes e tecnologia de diagnóstico e cirurgia guiada digital, e agora também a Caniço Aesthetics, a nossa área de medicina estética, que nasce como uma extensão natural daquilo que já fazíamos: cuidar da harmonia do rosto e corpo de forma que sinta mais confiança. Há ainda espaços pensados para o bem-estar do paciente durante a sua visita, incluindo um rooftop. A ideia é que o paciente sinta que entrou num lugar diferente, onde tudo foi pensado para lhe dar mais tempo, mais privacidade e mais conforto.

«Uma clínica de saúde pode proporcionar uma experiência confortável e uma jornada encantadora»

O novo edifício foi concebido com um conceito inspirado numa galeria de arte, privilegiando conforto, serenidade e privacidade. O que esteve na base desta decisão?

Sempre defendi que uma clínica não tem de parecer uma clínica. Quem nos visita já traz muitas vezes alguma ansiedade associada ao tratamento dentário, e o espaço físico pode ajudar – ou atrapalhar – nesse processo. Por isso, desenhamos uma clínica inspirada numa galeria de arte: um corredor de arte, sofás, texturas, madeiras, tecidos, amplitude. Gosto de dizer que é um lugar onde a ciência e a arte coexistem. Não é um exercício estético gratuito, é uma forma de dizer ao paciente, antes mesmo de ele se sentar numa cadeira, que ali vai ser tratado com cuidado, com tempo e com privacidade.

A Clínica Caniço tem apostado fortemente na inovação tecnológica, desde a cirurgia guiada digital aos scanners intraorais e tomografia 3D. Como equilibra a tecnologia de ponta com a componente humana, que continua a destacar como um dos pilares da clínica?

A tecnologia dá-nos precisão, rapidez e previsibilidade, e hoje conseguimos planear e até colocar dentes fixos em poucas horas graças à cirurgia guiada digital, aos scanners intraorais e à tomografia 3D. Mas nunca deixei que a tecnologia substituísse a proximidade. Continuo a analisar pessoalmente os casos clínicos mais complexos e a acompanhar de perto a formação da equipa. A tecnologia é uma ferramenta ao serviço da relação com o paciente, nunca o contrário. No fim do dia, o que fica na memória de quem nos visita não é o aparelho que usámos, é a forma como se sentiu tratado.

DENTES FIXOS EM 1 DIA (Cristiana Silva) | FACETAS CERÂMICAS (Pote – Pedro Gonçalves)

 

«Este novo espaço é a materialização de 28 anos de percurso. E a visão de um futuro construído com inovação»

Quais são as principais áreas/tratamentos de referência da clínica na atualidade?

Somos hoje uma referência sobretudo em implantologia e em reabilitações complexas, com a nossa cirurgia guiada digital que permite colocar dentes fixos em poucas horas. Recebemos também muitos pacientes para retratamento – pessoas que já passaram por outras clínicas e procuram em nós uma segunda opinião de confiança. O tratamento de facetas dentárias é o que está a crescer exponencialmente pois temos uma abordagem com saúde, estética e longevidade onde em muitos casos não recorremos a desgaste dentário.

A equipa deverá atingir cerca de 45 colaboradores até ao final do ano. Que perfil de profissionais procura integrar e como consegue preservar uma cultura organizacional forte numa empresa em rápida expansão?

Procuramos sobretudo pessoas leais, com ambição, com cuidado e com verdadeira vocação para cuidar de quem tem à sua frente. A competência técnica ensina-se, a genuinidade no cuidado, não. A equipa duplicou este ano e vamos chegar aos 45 colaboradores até ao final do ano, o que é um crescimento muito rápido. Para preservar a cultura, mantenho-me pessoalmente envolvido na revisão dos casos clínicos e na formação de quem entra. Temos, por exemplo, um programa estruturado de acompanhamento de formação. No fundo, a minha maior preocupação é que tenhamos pessoas felizes dentro de portas, porque só assim conseguimos transmitir isso aos pacientes.

Recebem atualmente pacientes de todo o país para tratamentos de elevada complexidade e têm vindo a desenvolver um programa de turismo dentário. Que potencial identifica nesta área e qual poderá ser o seu impacto no crescimento da clínica e da própria região de Braga?

Recebemos hoje pacientes de norte a sul do país e das ilhas, e ao longo dos anos fomos desenvolvendo, com esses casos mais complexos, um método muito próprio: conseguir resolver tratamentos exigentes em poucas consultas – normalmente duas a três – sem abdicar do rigor nem do resultado. Isso abriu-nos naturalmente a porta ao turismo dentário, porque um paciente que vem de longe não pode ficar dependente de dez visitas espalhadas por meses. Vejo um potencial enorme nesta área, não só para o crescimento da clínica, mas também para Braga e para a região, que ganha visibilidade e movimento económico associado na hotelaria, restauração, comércio local, sempre que trazemos pacientes de fora para cá.

Depois de um percurso dividido entre a prática clínica e a gestão, passou a dedicar-se exclusivamente à liderança estratégica da Clínica Caniço. Como foi viver essa transição e de que forma alterou a sua visão sobre o negócio e sobre a medicina dentária?

Não foi uma transição fácil, porque a prática clínica sempre foi uma paixão muito grande para mim. Mas percebi que, para a clínica crescer de forma sustentável, precisava de dedicar mais tempo a pensar o negócio do que a executá-lo sozinho. Tive colegas ao longo do caminho, o Dr. Bernardo e o Dr. David – hoje peças essenciais da equipa clínica -, e a confiança que fomos construindo juntos deu-me a liberdade para me dedicar por inteiro à liderança estratégica. Essa vocação de liderar, de organizar e de motivar equipas, aliás, já vinha de trás, dos tempos do ABC de Braga, o desporto ensinou-me muito sobre decidir sob pressão e sobre formar pessoas. Hoje vejo o meu papel como o de analisar cada caso clínico relevante e garantir que a equipa tem as condições e a formação para fazer o resto ainda melhor do que eu faria sozinho.

«Um sorriso muda a forma como uma pessoa se relaciona com o mundo»

Ao longo dos anos tem defendido que a missão da Clínica Caniço passa por “transformar sorrisos e mudar vidas”. Continua a ser essa a essência do projeto ou essa missão ganhou hoje uma dimensão mais abrangente?

Continua a ser exatamente essa a essência, mas hoje tem, de facto, uma dimensão mais abrangente. Um sorriso muda a forma como uma pessoa se relaciona com o mundo, vejo isso todos os dias em empresários, atletas, figuras públicas e, sobretudo, em pessoas que ganham confiança para se mostrarem como são. Mas percebi que essa missão não pode ficar limitada aos pacientes. Quero que “o poder de um sorriso” seja também uma realidade para quem trabalha connosco, por isso falo tanto em ter pessoas felizes dentro de portas. Se a nossa equipa vive isso genuinamente, é impossível que não se reflita em quem atendemos.

Quais considera que serão as maiores transformações da medicina dentária nos próximos anos e como pretende posicionar a Clínica Caniço perante esses desafios?

Acredito que a inteligência artificial vai continuar a acelerar tudo, desde o diagnóstico, ao planeamento de casos, a própria formação das equipas. Isso já está a acontecer connosco. Também vejo a cirurgia guiada digital e os fluxos totalmente digitais a tornarem-se cada vez mais a norma, com tratamentos mais rápidos, mais previsíveis e menos invasivos. A minha forma de posicionar a Clínica Caniço perante isto é continuar a estudar em medicina, mas também em liderança e em inovação, e continuar a investir em tecnologia sem nunca perder de vista que a tecnologia nunca substitui a proximidade. Quem se mantiver fiel a esse equilíbrio vai estar bem posicionado para o futuro.

«O fator mais determinante para mim não é a oportunidade de mercado, é garantir que não diluímos aquilo que nos torna diferentes»

Como imagina a Clínica Caniço daqui a uma década?

Imagino uma Clínica Caniço com raízes bem firmes em Braga, mas com uma presença consolidada de norte a sul de Portugal e nas ilhas, e a afirmar-se cada vez mais como uma referência europeia, recebendo pacientes de fora do país, tal como já recebemos hoje pessoas com ligações que vão até Timor-Leste. Uma clínica que continua a unir ciência e arte, tecnologia de ponta e proximidade humana, e onde “transformar sorrisos e mudar vidas” continua a ser tão verdadeiro para os pacientes como para as pessoas que aqui trabalham. Se daqui a dez anos conseguirmos olhar para trás e dizer que fomos fiéis a isso, terá valido a pena todo o investimento e todo o risco que assumimos agora. 

 

 

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