Entre a celebração e a cabine de som, Guilherme Peixoto move-se com a mesma naturalidade com que alterna entre o silêncio da fé e o pulsar da música. Padre e DJ, figura singular do panorama religioso e cultural português, chega à rubrica EM OFF com a franqueza de quem vive “aqui e agora”, o tempo onde acredita ser chamado a construir o Reino de Deus. Da leveza das sardinhas assadas às memórias que o marcaram para sempre, do rigor da agenda às virtudes da sesta assumida, revela-se com discernimento, humor e humanidade. Uma entrevista onde se descobre o homem por detrás das mesas de mistura e da vocação.
Qual seria o título da sua autobiografia?
Senhor, tem piedade de mim.
Se pudesse viver dentro de um filme, qual escolheria?
Les Choristes.
Uma palavra que o descreve, atualmente?
Discernimento.
Qual é a sua música preferida?
Sancta Maria (Cavalleria rusticana).
Quem gostava de ter como convidado num jantar?
Marco Frisina.
Se só pudesse comer um prato para o resto da vida, qual seria?
Sardinhas assadas, mas tinham de estar boas o ano todo.
Café ou chá? Com ou sem açúcar?
Sem, desde os tempos de seminário.
Qual é a sobremesa que nunca consegue recusar?
Leite creme feito na hora.
Verão ou inverno? E porquê?
Verão na Póvoa de Varzim, porque o verão nunca é demasiado quente e o clima é fantástico para se trabalhar.
Um livro que o marcou?
O Poder do Perdão.
Qual é a sua cidade de eleição?
Guimarães.
O que não pode faltar na sua mala ou mochila?
Dois ou três livros para ler durante as viagens de avião.
Qual seria a sua habilidade superpoderosa?
Dormir.
Qual é a primeira coisa que vê no telemóvel de manhã?
A agenda.
Se pudesse dominar instantaneamente uma nova língua, qual seria?
Espanhol.
Qual é o seu lema de vida?
Não tenhas medo de sujar as mãos, as vestes, quando te fazes próximo do outro – Cf. Papa Francisco – 08 de outubro de 2018.
O que faz para se animar num dia mau?
Penso no facto de que não tem mais horas que um dia bom, e tento colocar tudo nas mãos de Deus.
Preferia viajar para o passado ou para o futuro? Porquê?
Não é algo que me agradaria fazer, seja para o passado, seja para o futuro. Aqui e agora é onde sou chamado a construir o Reino de Deus.
Viagem de sonho?
Sempre para uma praia com águas quentes onde possa passar horas no mar a nadar e a tratar a sinusite. Isto naturalmente com prescrição médica do meu alergologista.
Clube do coração?
Vitória Sport Clube.
Qual foi a coisa mais inesperada que aprendeu recentemente?
A dizer não.
Qual é o seu guilty pleasure (Ou seja, que coisa gosta tanto de fazer, mas gosta pouco de confessar)?
Dormir a sesta.
Qual o maior medo que tem?
Que o Braga seja campeão.
Quem é o seu ídolo?
São Francisco de Assis.
Uma memória que nunca esquecerá?
A noite em que morreu o Papa São João Paulo II e a multidão de jovens que encontrei a rezar e a chorar na Praça de São Pedro nessa mesma noite e me fez regressar a Roma para o seu funeral.
